Pouca semelhança se vê entre um carro esportivo moderno e uma máquina a vapor, mas jamais existiriam os automóveis se não houvesse os primeiros motores. O mesmo aconteceu com os notebooks, ou você acha que já nasceram com conexões sem fio e hardware dignos de um desktop. O Baixaki abre seu livro de histórias para contar a origem dos computadores portáteis.
Início dos anos 80
Endenda o papel do computador na época
O sucesso do seu Apple 2 ainda era uma novidade, um dos modelos responsáveis pelo conceito de computador pessoal, e o mundo da informática presenciava o lançamento do IBM Personal Computer, o primeiro computador a trazer uma versão do DOS como sistema operacional. A explosão foi tamanha que o próprio termo PC teve origem na abreviatura deste modelo (IBM PC).

Os computadores estavam se tornando pessoais de fato, não só pela popularização dos custos mas também pela variedade de modelos que estava tomando o mercado. Porém, boa parte dos consumidores era constituída por empresários e pessoas que viajavam com frequência. Como a informática era um mercado novo e bastante promissor, quem teria a ideia de ligar uma bateria a um computador a fim de torná-lo portátil?
Surge o primeiro portátil
Onde tudo começou
Em 1981, Adam Osborne foi o pioneiro, pois lançou um computador completamente portátil. Com uma tela de 5”, a máquina pesava aproximadamente 12 kg e cabia embaixo do banco de um avião. O Osborne 1 teve boas vendas enquanto único no mercado, aproximadamente 10 mil exemplares, mas sua empresa acabou indo a falência em 83 com a chegada de modelos concorrentes. Um dos motivos que colaboraram para a decadência do Osborne 1 é que ele não possuía compatibilidade alguma com os desktops da época.
Mas foi a Compaq que lançou em 82 o primeiro computador portátil compatível com o IBM PC (referência em desktop até então). Abrigavam seus 12,5 kg um CPU de 4,77 MHz, memória RAM de 128 KB, disco de 320 KB e um monitor CRT de 9 polegadas, o que permitia que o computador fosse dotado de um sistema operacional DOS. Apesar do seu alto custo, U$ 3.500,00, sua compatibilidade fez do portátil da Compaq um sucesso e promoveu a marca.

Mais tarde no mesmo ano, a Epson entra no mercado dos portáteis com seu modelo Epson HX-20, o primeiro a apresentar as dimensões de um caderno (notebook em inglês). Seu tamanho era aproximadamente o mesmo de uma folha de papel A4 e pesava pouco mais que 1,5 kg. Sua tela de LCD tinha resolução de 120 x 32 pixels, 16 KB de memória RAM, um drive de fitas mini-cassete e uma impressora similar a uma caixa registradora.
O desenvolvimento de um mercado promissor
Começam a ganhar a aparência
Muitas empresas estavam apostando nesta nova fatia promissora da informática, o que colaborava muito para o rápido desenvolvimento dos modelos. Em 84, a IBM entra na briga e lança o seu primeiro computador portátil: o IBM 5155. Embora similar ao Osborne 1, o 5155 apresentava uma configuração impressionante para a época: 256 KB de memória RAM.

Além de tecnologia, a concorrência impulsionava os fabricantes a desenvolver modelos de formatos variados. Em 85, o TRS-80 model 200 da Radio Shack foi o primeiro notebook dobrável como um caderno. Este modelo, adotado até hoje, permite que o monitor ocupe maiores dimensões ocupando uma das metades.
Em 1988 foi a vez da NEC introduzir seu modelo Nec Ultralite ao mercado e um ano depois a Apple lança o Macintosh Portable. Mas foi em 1990 que começaram a ser notados os primeiros saltos tecnológicos nos notebooks com o SLT/286 da Compaq. Além de evoluir seu processador para um 286, este foi o primeiro modelo a contar com uma tela VGA (até então todos os notebooks eram monocromáticos).
As inovações do Thinkpad
Um modelo que coleciona inovações
Os computadores portáteis já eram dobráveis ao meio e apresentavam monitor colorido, mas qual deles seria o primeiro a trazer o Windows como sistema operacional? Com o avanço das máquinas, em 92 a IBM lança um dos laptops mais importantes da história: o Thinkpad. Com Windows 3.1 operando em um processador 486 de 50 MHz, 4 MB de memória RAM e 120 MB de disco rígido. Também foi o primeiro a incorporar o trackpoint, um substituto ao mouse localizado no meio do teclado.
Além de ser o primeiro tornar o Windows portátil, em 94, a linha Thinkpad inova mais uma vez com o primeiro notebook a trazer um drive de CD. Em 1997 foi a vez do Thinkpad apresentar um drive para a leitura de DVDs, um verdadeiro luxo para a época. Sem dúvidas, este foi um dos modelos que mais colaboraram para a evolução tecnológica dos laptops.
Tecnologia portátil
As inovações recentes
Embora já possuíssem Windows e recursos dignos de um computador de mesa, na época os notebooks ainda não possuíam dimensões muito práticas. Em 94, a NEC lança o primeiro computador com 2 cm de espessura e cerca de 1,6 Kg, os mesmos padrões adotados atualmente. A máquina já incorporava o mouse TrackBall e processadores 486, mas seu monitor ainda apresentava o padrão monocromático.
Até então, internet era sinônimo de cabos, mas esta história mudou com a chegada do iBook, o primeiro notebook do mercado com acesso sem fio. Implementada no laptop da Apple ainda em 1999, a tecnologia Airport foi a primeira a promover internet WiFi. A essa altura, os notebooks já eram efetivamente portáteis, com os mesmos acessórios que um desktop e traziam conexão sem fio, mas ainda não eram capazes de rodar os mesmos aplicativos que os desktops.
Dois modelos foram essenciais para elevar os laptops ao mesmo patamar dos PCs: o Sting 917X2 (2005) e o MacBook Pro (2006). Com processador AMD 64 X2 e placa de vídeo com 256 MB, o Sting foi o primeiro a apostar em configurações poderosas para rodar grandes games em um laptop. Já o MacBook Pro foi o primeiro computador da Apple a trazer processadores Intel e a rodar Widows. Este modelo marcou a superação de uma barreira criada muitos anos antes, agora até mesmo os aplicativos exclusivos do Windows poderiam rodar em um Mac portátil.
E o futuro?
Novas tendências
A tecnologia dos notebooks já se iguala a dos computadores de mesa, então para onde serão dados os próximos passos? Apostando em modelos cada vez menores, em 2007, a Asustek lançou o primeiro netbook. As novas proporções lançaram uma nova tendência no mercado com computadores de baixo custo e extremamente portáteis.
Quatro telas, nenhuma espera
E se o seu próximo notebook tivesse duas, três ou até quatro telas, todas capazes de tornar sua experiência de computação mais agradável e eficiente? Essa é a ideia por trás do Tangent Bay, criado pelo grupo de protótipos de Veeramoney na Intel.
Um computador totalmente operacional que mostra um noco conceito quanto a telas, o Tangent Bay possui uma proeminente tela principal de 15.6 polegadas, com três telas auxiliares de 3.5 polegadas OLED sensíveis ao toque, normalmente utilizadas em telefones celulares, logo acima do teclado.

Transformer
O conceito Prime de Kyle Cherry leva as telas um ou dois passos à frente. O Prime foi desenvolvido para ser o melhor notebook para games com três telas grandes; e ele pode ser colocado em um gabinete pequeno e portátil para viagem.
“Eu queria algo que pudesse mudar de pequeno para grande, dependendo do que você tivesse que fazer”, diz Cherry, um designer industrial independente que mora em Seattle. “O Prime oferece o melhor dos dois mundos.”
Atualmente nada mais do que uma imagem CAD, o Prime seria feito de seis “asas” de alumínio – três com telas, um com um teclado mecânico, e duas superfícies vazias para armazenar eletrônicos. Alguns dos painéis do Prime são flexíveis, e os outros podem deslizar um para cima do outro. Como um brinquedo Transformer, ele pode ser transformado em várias configurações diferentes, cada uma com uma personalidade distinta.

Dobre aqui
Em contraste o conceito do notebook Airo Origami, da Asus, é “o mais fino que puder”. Quando fechado, o Airo Origami se parece com um laptop convencional, mas com uma borda frontal e um perfil triangular. Em vez de possuir uma tampa de tela dobradiça com um teclado fixo embaixo, o sistema possui quatro partes principais que se movimentam de forma independente.


A chave para computação
Mas e se o teclado pudesse ser escondido e puxado apenas quando preciso? Essa é a ideia por trás de um protótipo de smartbook que foi desenvolvido como parte da competição SCAD Design Challenge, da Freescale Semiconductor.
Criado em colaboração com a College of Art and Design, da Universidade Savannah, o protótipo possui um par de teclados removíveis que ficam ao lado da tela. Você segura o aparelho com as duas mãos e usa seus polegares para digitar e-mails, posts de blog e notas rápidas no Twitter.

Deslizando
Parecendo um enorme telefone celular com teclado deslizante, o Slider de Sean Bovee é um computador portátil com uma tela sensível a toque de 9 polegadas e um teclado mecânico que sai debaixo da tela.
“O Slider foi criado a partir de frustração”, explica Bovee, um designer industrial independente que mora em Atlanta, nos EUA. “Por que nós não podemos ter uma pequena máquina com força suficiente para rodar programas que queremos e versatilidade para qualquer situação?”

Enrole o computador
Não pude resistir em incluir um design de conceito que não está realmente pronto para o grande público: o Rolltop, um computador móvel que é diferente de tudo que você já viu. De acordo com o designer Evgeny Orkin, “a ideia era fazer um computador que pudesse ser enrolado e dobrado em diferentes configurações. Flexibilidade é o meu objetivo.”
Quando é transportado, o Rolltop parece um cilindro com o tamanho de um rolo depapel toalha com um fecho para evitar que desenrole no caminho. Quando é hora de trabalhar ou jogar um game, o sistema é desenrolado como um tapete, revelando um tablet touch-screen de 17 polegadas com uma uma caneta (stylus) para escrever e desenhar.



Deixe o teclado em casa
Mostrado pela primeira vez no evento Consumer Electronics Show, realizado em janeiro de 2010, o smartbook SABRE, da Freescale, é um sistema crossover que funciona como um tablet de 7 polegadas “pra viagem” e um pequeno netbook com teclado para uso em casa.
A chave para o seu design é uma “docking station” no teclado que carrega a bateria do sistema e o conecta a recursos locais como impressoras e discos rígidos externos.

Um tablet por criança
Apesar de muitas pessoas terem ficado impressionadas com a habilidade da organização One Laptop Per Child (OLPC – Um Laptop por criança) de fabricar e vender seus notebooks educacionais XO por cerca de 200 dólares cada, seu design era um pouco sem graça. Um tablet seguinte, o XO 2.0, nunca chegou a ser produzido, mas agora a OLPC está trabalhando em seu sucessor, o XO-3.
Esse design de tablet troca o tradicional teclado mecânico por uma tela multitoque de 9 polegadas – uma “única lâmina de plástico flexível”, de acordo com a OLPC – para escrever ou digitar com uma caneta especial. O primeiro protótipo, programado para setembro deste ano, terá uma tela de vidro, mas o objetivo é que o produto final seja 100% plástico inquebrável, de acordo com o fundador do projeto, Nicholas Negroponte.

De passando passando por tendencias de futuro para 2012, são alguns modelos de notebooks que fizeram e farão história em nossas vidas.
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