Salário não é tudo! E você concorda?

Estudo que ouviu funcionários em cargos de gerência de grandes empresas em dez países mostra que remuneração é quarta razão de satisfação no trabalho. Fonte revista Veja.

Uma empresa que deseja atrair e reter talentos precisa oferecer boa remuneração. Dinheiro, contudo, não garante a satisfação dos funcionários. É o que revela pesquisa inédita da companhia de seleção e recrutamento Robert Walters com 9.173 profissionais de cargos de média e alta gerência em dez países — entre eles, o Brasil.

Salário não tudo, você concorda?

Salário não tudo, você concorda?

À frente dos altos salários, aparecem como principais motivadores: ter e superar desafios, manter equilíbrio entre carreira e vida privada e alcançar postos de responsabilidade e destaque. “Um bom salário não deixou, é claro, de ser um fator importante na vida profissional”, diz Frédéric Ronflard, diretor da Robert Walters. “Mas há uma tendência de valorização de outros aspectos. Os entrevistados têm consciência, por exemplo, de que vencimentos altos são acompanhados por muita pressão, o que pode reduzir a qualidade de vida. E isso é hoje incompatível com o que almejam para suas vidas.”

Além de brasileiros, foram ouvidos na pesquisa profissionais da Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Irlanda, Luxemburgo, Suíça e Estados Unidos. Quase metade integra a chamada geração X, que compreende pessoas com idades entre 34 e 45 anos de idade. Um em cada seis trabalha em uma organização de grande porte, com mais de 250 funcionários. Apenas 16% dos participantes apontaram salário e benefícios como razão de motivação no trabalho. Ser defrontado com desafios, como metas de desempenho, aparece em primeiro lugar (29%), seguido por atingir equilíbrio entre carreira e vida privada (25%) e ganhar postos de destaque e responsabilidade (23%) — o que pode se traduzir em ganho financeiro.

No caso do Brasil, harmonia entre trabalho e descanso é razão de mais satisfação. Esse foi considerado o maior motivador profissional por 36,6% dos 773 entrevistados que trabalham no país. O percentual é mais do que o dobro do relativo aos profissionais que elegeram a remuneração como motor de satisfação. Metade dos ouvidos afirmou que deixaria a empresa assim que percebesse que ela não oferece boas perspectivas. A cifra é simular nos demais países.

O dinheiro é um motivador que funciona apenas no curto prazo. Essa é a visão de Leonardo de Souza, diretor da companhia de seleção de executivos Michael Page. “Os profissionais têm necessidade de se sentir úteis e de perceber que seu esforço produz impactos, seja nos resultados da organização, seja em sua vida privada”, diz. Ao receber um aumento, o profissional se adapta rapidamente ao novo padrão financeiro e, em pouco, deixa de perceber o bônus recebido. “É por isso que ele precisa, por exemplo, de novos desafios e equlíbrio entre trabalho e lazer”, diz Souza. Uma pesquisa da Michael Page ilustra a situação: quase 40% dos 7.500 entrevistados já haviam aceito um corte nos vencimentos em troca de uma mudança de área para atuar em projetos mais estimulantes.

 Rodrigo Soares, diretor da Hays, outra companhia de seleção de executivos, afirma que nove em cada dez candidatos recrutados para postos de gerência questionam, no ato da seleção, o plano de carreira da organização em questão. “Eles querem saber quais são os passos para atingir o patamar seguinte da carreira”, diz Soares. “As companhias que não oferecem um planejamento definido acabam perdendo bons candidatos para a concorrência.”

Na lista de itens que cooperam para a felicidade no trabalho, além dos já apurados pelo estudo da Robert Walters, aparece identificação com o empregador. Pesquisa realizada pela companhia de seleção DMRH que ouviu mais de 4.000 executivos mostrou que um em cada cinco entrevistados considera que a empresa ideal é aquela que possui valores e crenças similares aos seus. Novamente, é um indicador de que dinheiro não é tudo. “Esses profissionais passam boa parte do tempo no trabalho. Então, precisam sentir que a atividade que exercem tem algum sentido”, diz Sandra Finardi, diretora da DMRH.

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